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A aterosclerose é um processo inflamatório causado pelo acúmulo de placas de gordura na parede das artérias,
que vão entupindo e obstruindo os vasos sanguínieos, podendo levar a ataque cardíaco, acidente vascular cerebral
(AVC ou derrame) e redução do fluxo de sangue para as pernas e os pés. O desenvolvimento da aterosclerose pode
estar relacionado com hipertensão arterial, tabagismo, diabetes mellitus (excesso de açúcar no sangue),
dislipidemias (colesterol elevado), obesidade, sedentarismo e história familiar (casos de doença na família do
paciente). Esses fatores, isoladamente ou associados, levam à lesão da parede arterial, causando um processo
inflamatório crônico que resulta na formação das placas de gordura.

DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA

A doença arterial coronariana (DAC) é uma condição séria que se desenvolve pelo crescimento de
placas de gordura (aterosclerose) na parede das artérias coronárias. O acúmulo dessas placas de
gordura leva ao entupimento do vaso sanguíneo e, consequentemente, à diminuição do fluxo de
sangue, reduzindo o fornecimento de oxigênio e nutrientes para o músculo cardíaco. Essa condição
pode causar angina (dor no peito ou desconforto torácico) e diminuição da força de bombeamento do
coração, provocando cansaço, fadiga e até mesmo arritmias cardíacas. Com o tempo, a placa de
gordura pode se romper, formando um coágulo de sangue que obstrui total ou parcialmente a artéria
coronária, levando ao infarto do miocárdio, também conhecido como ataque cardíaco, e à morte súbita.

Portanto, o ataque cardíaco ocorre em função de
toda essa condição prévia, que pode estar em
andamento silenciosamente. Daí o perigo e a
necessidade de estar atento aos sintomas e se
prevenir. A maioria das mortes por infarto ocorre
nas primeiras horas de manifestação do
problema, sendo 40% a 65% na primeira hora e
aproximadamente 80% nas primeiras 24 horas.
Dessa forma, a maior parte das mortes por infarto acontece fora do ambiente hospitalar e, portanto,
sem assistência médica.

DOENÇA ARTERIAL PERIFÉRICA

Da mesma forma que a DAC, a doença arterial periférica (DAP) tem origem no desenvolvimento da
placa de gordura nas artérias (aterosclerose), levando ao entupimento dos vasos. Entretanto, na DAP
essa placa se desenvolve nas artérias periféricas, responsáveis por transportarem o sangue para as
extremidade [membros superiores (braços) e inferiores (pernas)]. A diminuição do fluxo sanguíneo
para os membros também causa a redução do fornecimento de oxigênio e nutrientes aos músculos.
Com isso, pode ocorrer a formação de coágulos de sangue no interior do vaso sanguínieo (trombose
arterial) e evoluir até a necessidade de amputação dos membros (pernas e pés).

A aterosclerose pode ocorrer em
diferentes tipos de vasos ao mesmo
tempo, acometendo tanto artérias
coronárias como artérias das pernas
e pés. Um estudo demonstrou que 60%
dos pacientes com DAP também
apresentavam DAC

DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA E PERIFÉRICA EM NÚMEROS

De 5% a 8% dos pacientes
com DAC têm mais de 40 anos

DAC e AVC foram as principais
causas de morte em todo o
mundo nos últimos 15 anos

O risco de morte de paciente
com apresentações clínicas
de DAC é de 40,9%

No mundo, 202 milhões
de pessoas tem DAP

A cada 100 mil brasileiros
10,5% têm diagnóstico
de DAP; desses, apenas 9%
apresentavam sintomas
da doenças

Pacientes com DAP apresentaram número maior
de complicações (21,14%) quando comparado ao dos
pacientes com DAC (15,20%) e doença cerebrovascular
(14,53%), segundo um estudo internacional

DIAGNÓSTICO: DAC

O histórico detalhado do paciente e da família é a base para o diagnóstico da doença arterial
coronariana (DAC). Através dele e da análise dos fatores de risco da aterosclerose, o médico poderá
estabelecer a chance da ocorrência de DAC. Essa avaliação leva em conta o principal sintoma da
doença: a dor ou desconforto na região do tórax, região abdominal superior, mandíbula, ombro, dorso
ou braços, além de outros como suor frio, náuseas, vômitos e falta de ar.

O médico poderá solicitar exames adicionais. Dentre eles, há uma variedade de métodos para detectar
a redução do fluxo sanguíneo pelas artériais coronárias e auxiliar o diagnóstico:

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  • eletrocardiograma (ECG) de esforço (teste ergométrico): avalia a diminuição do fluxo de sangue nas artérias coronárias durante esforço físico;

  • ecocardiograma sob estresse: exame de ultrassom do coração, associada ao uso de medicamentos que aumentam a força de contração do músculo cardiáco;

  • cintilografia miocárdia com estresse: avalia a distribuição do fluxo sanguíneo pelas artérias coronárias em repouso e sob estresse;

  • ressonância magnética cardiovascular (RMC): realizado sem radiação, permite avaliar a função e a distribuição de sangue no coração;
  • angiotomografia das artérias coronárias: indicado para pacientes que não podem se submeter a testes de estresse ou nos casos em que estes foram inconclusivos;

  • cineangiocoronariografia (CATE): estabelece o diagnóstico definitivo de DAC, determinando o grau de entupimento da artéria coronária;

  • exames laboratoriais (glicemia de jejum, colesterol total e frações triglicérides): são importantes na avaliação dos fatores de risco da aterosclerose, como diabetes mellitus e dislipidemia (colesterol elevado);

  • dosagem de enzimas cardíacas (exame de sangue): o nivel elevado dessas enzimas sinaliza a ocorrência de infarto.

DIAGNÓSTICO: DAP

Na avaliação do paciente com suspeita de doença arterial periférica (DAP), o médico analisa os
sintomas e apresenta fatores de risco para a doença. A chamada claudicação intermitente ou dor
nas panturrilhas ("batata da perna") ao caminhar é o sintoma mais frequente de DAP, mas sua
ocorrência muitas vezes não é suficiente para o diagnóstico, sendo importante a realização do exame
físico para avaliar sinais de entupimento arterial. O exame físico consiste em:

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  • avaliação das artérias femorais para pesquisa de sopros (sinal de obstrução arterial) por meio de escuta com o uso de estetoscópio;

  • palpitação da intensidade dos pulsos arteriais das pernas e pés;

  • observação da coloração e da temperatura da pele dos pés (a presença de pele fria e a diferença de temperatura entre os membros podem ser indicativos de DAP);

  • análise da integridade da pele e da presença de ulcerações;

  • palpação do abdômen para pesquisa de dilatação anormal de uma artéria (aneurisma do aorta);
  • cálculo do índice tornozelo-braquial (ITB), obtido pela medida da pressão sistólica nas artérias do tornozelo e braquial (do braço), considerado como uma ferramenta de triagem primária do paciente com suspeita de DAP. Dentre os exames de diagnóstico por imagem, destacam-se

  • ultrassonografia vascular com doppler colorido das artérias das penas e pés: eficaz para identificar a anatomia arterial;

  • angiotomografia e angioressonância: permitem a observação do entupimento arterial, com alto índice de acerto no diagnóstico de DAP.

CAUSAS

A doença arterial coronariana (DAC) e a doença arterial periférica (DAP)
possuem fatores de risco comuns, que podem ser divididos em:
fatores de risco que podem ser modificados com tratamento específico ou
mudanças no estilo de vida.

Hipertensão arterial

Hiperglicemia
(alta taxa de açúcar
no sangue)

Dislipidemia
(colesterol Elevado)

Diabetes Mellitus

Inflamação

Tabagismo/Etilismo

Estresse

Sedentarismo

Dieta e nutrição

Obesidade/Sobrepeso

Fatores de risco que não podem ser modificados, como
características individuais e genéticas do paciente:

HEREDITARIEDADE
(INCLUINDO ETNIA)

GÊNERO
(MASCULINO)

HISTÓRIA FAMILIAR DE
DOENÇAS CARDIOVASCULAR

SINTOMAS DAC

O principal sintoma de doença arterial coronariana (DAC) é a angina (dor no peito), que pode ser sentida no tórax, estômago, mandíbula, ombro, dorso ou braços. Essa dor pode ser descrita como constrição, aperto, peso, opressão, desconforto, queimação ou pontada. A dor no peito é tipicamente desencadeada ou agravada com a atividade física ou estresse emocional. A dor pode irradiar-se para os braços (principalmente o esquerdo), ombro, mandíbula, pescoço, dorso e região abdominal superior (ou “boca do estômago”), além de vir acompanhada de outros sintomas, tais como suor frio, náuseas, vômitos e falta de ar. A dor no peito também pode ocorrer em outras situações diferentes, por isso o médico poderá optar pela realização de exames adicionais para concluir o diagnóstico de DAC.

SINTOMAS DAP

A diminuição do fornecimento de sangue para as pernas é responsável pelos sintomas de doença arterial periférica (DAP), que podem variar desde a perda de sensibilidade e formigamento das pernas, claudicação intermitente (dor nas panturrilhas ao caminhar), formação de lesões e predisposição para infecção de feridas. A dor nas panturrilhas é o sintoma mais frequente da DAP e resulta da redução do fluxo sanguíneo para os músculos das pernas durante o exercício, devido ao entupimento arterial causado pela aterosclerose. Essa dor nas panturrilhas durante a caminhada normalmente desaparece após o repouso.

TRATAMENTO

Em termos gerais, o tratamento de doença arterial coronariana (DAC) e doença arterial
periférica (DAP) divide-se em duas diretrizes principais, com o objetivo de reduzir o risco de
eventos cardiovasculares nesses pacientes:

1) controle dos fatores de risco cardiovascular:

Com o objetivo de limitar a progressão da aterosclerose e estabilizar as
placas de gordura existentes, por meio de mudanças do estilo de vida, como cessação de
tabagismo, prática regular de exercícios, adoção de uma dieta saudável, controle do peso e
apoio psicossocial. Para o tratamento dos fatores de risco, deve-se controlar os níveis elevados
de colesterol, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus;

2) prevenção da formação de trombos:

Novas diretrizes internacionais recomendam o uso de anticoagulante oral não antagonista da
vitamina K associado a dose baixa de ácido acetilsalicílico para pacientes com DAC que
apresentam risco alto de complicações cardiovasculares e risco baixo de sangramento. O
objetivo é prevenir a formação de coágulos, que podem impedir a passagem do sangue pelos
vasos e levar a complicações como infarto (ataque cardíaco), acidente vascular cerebral (AVC
ou derrame) e morte. Os pacientes com risco alto de complicações são aqueles com várias
artérias coronárias acometidas e que apresentam pelo menos um dos seguintes fatores de risco:
DAP, infarto prévio ou recorrente, diabetes mellitus ou doença renal crônica

Os objetivos fundamentais do tratamento da
doença arterial coronariana (DAC) incluem :

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O tratamento preferencial da DAP tem por objetivo aumentar a capacidade de caminhada sem dor

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1) Prevenir o infarto (ataque cardíaco) e reduzir a mortalidade;

2) Reduzir os sintomas e a ocorrência da angina (dor no peito), com o intuito de melhorar a qualidade de vida.

Dependendo da avaliação médica, o tratamento da DAC pode ser medicamentoso, cirúrgico ou intervencionista (angioplastia coronária).

Tratamento medicamentoso: são utilizadas medicações que diminuem os batimentos cardíacos (betabloqueadores), para reduzir o trabalho do coração e, consequentemente, a dor no peito e o cansaço. Os nitratos também são muito utilizados, pois dilatam as veias que levam sangue ao coração, reduzindo o volume de sangue e o trabalho cardíaco. Os nitratos também dilatam os vasos coronários, melhorando o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco.

Para pacientes com DAC que apresentam risco alto de complicações cardiovasculares e risco baixo de sangramento, novas diretrizes internacionais recomendam o uso de anticoagulante oral não antagonista da vitamina K associado a dose baixa de ácido acetilsalicílico, pois essa combinação demonstrou reduzir o número de complicações relacionadas a morte, infarto (ataque cardíaco) e acidente vascular cerebral (AVC ou derrame) nesses pacientes.

Tratamento cirúrgico/intervencionista (angioplastia): a cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) ou a intervenção coronária percutânea (ICP) com implante de stent (pequena prótese implantada na artéria para impedir sua obstrução) têm o objetivo de melhorar a sobrevida e aliviar a dor no peito.

O médico cardiologista definirá a melhor alternativa de tratamento para o máximo benefício.

Pacientes com claudicação intermitente (dor nas panturrilhas ao caminhar), principal sintoma da doença arterial periférica (DAP), têm dificuldade para realizar as atividades cotidianas, com limitação significativa no estilo de vida. Portanto, o tratamento preferencial da DAP tem por objetivo aumentar a capacidade de caminhada sem dor.

Exercício físico: a prática de exercício supervisionado aumenta significativamente a distância máxima percorrida sem dor pelos pacientes com DAP.¹

Tratamento medicamentoso: existem medicamentos que demonstraram melhora tanto na distância de caminhada até o aparecimento dos sintomas quanto na distância máxima percorrida.

Novas diretrizes internacionais recomendam o uso de anticoagulante oral não antagonista da vitamina K associado a dose baixa de ácido acetilsalicílico para pacientes com diabetes mellitus e doença arterial sintomática crônica dos membros inferiores – que representam a maioria dos indivíduos com DAP –, sem risco alto de sangramento.

Tratamento cirúrgico: os procedimentos endovasculares (implante de stent na aorta e artérias das pernas) são indicados para pacientes com dor nas panturrilhas ao caminhar que não obtiveram resultado com o tratamento baseado em exercício físico ou em medicamentos, mantendo a limitação na qualidade de vida. A cirurgia convencional é indicada para pacientes com dor ao caminhar, que tenham o estilo de vida limitado pela doença e contraindicação à terapia endovascular.